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Inep disparidade entre as notas dos candidatos das duas aplicações do Enem 2016

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal responsável pelas avaliações da educação brasileira, esclarece que é impossível afirmar que há disparidade entre as notas dos candidatos das duas aplicações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016, uma vez que os percentuais de acerto não são divulgados. O simples depoimento de candidatos é insuficiente: eles não ficam com seu cartão de resposta e é comum a marcação errada desses cartões. Além disso, dois alunos podem ter a mesma quantidade de acertos em uma prova e ter médias de proficiência diferentes, uma vez que os itens podem ter parâmetros diferentes de dificuldade.

São igualmente improcedentes as explicações que tratam os parâmetros dos itens como “pesos” e supõem que a divulgação dos “pesos” possibilitaria a reprodução dos cálculos a partir apenas de ponderações. As diferenças entre os grupos de alunos avaliados nas três aplicações do Enem em 2016 não interferem nos resultados, pois o cálculo das proficiências é processado em uma única base de dados. A nota é resultado da relação entre o participante e o item, e não entre o participante e o grupo.

Não foi a primeira vez que o Enem teve provas diferentes, embora equivalentes. Todos os anos, o Inep aplica pelo menos duas provas do Enem: a regular e a prova para pessoas privadas de liberdade (PPL), que sempre foram equilibradas com o mesmo grau de dificuldade. Portanto, a necessidade da segunda aplicação do Enem em 2016 não afetou os resultados de nenhum grupo especificamente. O grau de dificuldade das três provas aplicadas em 2016 – 1ª e 2ª aplicações e PPL – é garantido pelos parâmetros dos itens e pela aplicação da Teoria de Resposta ao Item.

Entenda a TRI – O edital do Enem, que é seu marco regulatório, explicita que as provas serão corrigidas pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizada para o cálculo dos resultados dos candidatos inscritos no Enem desde 2009. Essa metodologia, consagrada em avaliações e por diversos organismos internacionais, permite comparar estudantes que fazem diferentes provas, uma vez que considera cada item e seus parâmetros estabelecidos em pré-testes.

Por meio da aplicação desses pré-testes é possível detectar, em cada item, três parâmetros: grau de dificuldade, grau de discriminação e potencial de acerto ao acaso. A partir desses parâmetros podem ser escolhidos diferentes itens para compor diversas versões de provas com características métricas equivalentes em todas elas. Isso garante isonomia e a consequente comparabilidade entre varias versões de prova.

A TRI não contabiliza apenas o total de acertos. Embora exista uma relação entre o número de acertos e a proficiência, esta não é apenas o percentual de itens acertados. Isso explica o fato de pessoas com o mesmo percentual de acertos poderem obter proficiências diferentes, dependendo do padrão de questões acertadas.

A análise que compara os resultados dos alunos a partir do percentual é a Teoria Clássica de Testes (TCT). Diferentemente da TRI, a TCT considera a totalidade da prova, e não os itens em separado. Ou seja, quanto mais questões o aluno acertar, maior será a sua nota. O fato de a TCT ser amplamente utilizada nas escolas brasileiras e, por isso, ser de maior conhecimento e de mais fácil entendimento pelos alunos, tende a confundir os candidatos quando recebem seus resultados do Enem. Ainda mais porque a maioria das escolas, mesmo em simulados para o Enem, continua utilizando a TCT (quantidade de acertos ou porcentagem) para a correção.

Tags : Enem
Redação

Autor (a) Redação

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